Sempre a Mesma Coisa (Sermão 02)

58:00👤 Pr. Jairo Carvalho
#Rotina#História#Tempo#Natureza#Eclesiastes

Eleve seu Estudo Bíblico

Crie sua conta gratuita na Marcas Escola Bíblica para salvar anotações, realizar testes de fixação, acumular pontos (XP) e receber certificados de conclusão.

Criar Conta GratuitaFazer Login

INTRODUÇÃO

A fim de comemorar o 300º (tricentésimo) aniversário do cidadão mais famoso da Filadélfia, a Orquestra oficial da Philadelphia contratou um famoso maestro para compor uma nova obra de música em homenagem a Benjamin Franklin.

Quando sua contratação foi anunciada em uma pré-estreia da temporada da orquestra de 2006, o compositor pediu algumas sugestões ao público. Que palavra as pessoas usariam para descrever uma obra de música que fizesse jus ao senhor Franklin?

“REVOLUCIONÁRIO”, respondeu alguém, pensando no papel central de Franklin na libertação dos Estados Unidos da tirania inglesa. “ELÉTRICO”, gritou outro membro do público, pensando no famoso experimento com a pipa, a chave e o raio.

Mas o homem que mais provocou risadas e gargalhadas sugeriu que o Maestro garantisse que sua composição fosse “LUCRATIVA”. Afinal de contas, o que corresponderia mais ao espírito empreendedor de Benjamin Franklin do que ganhar um pouco de dinheiro?

Muitas das famosas máximas de Franklin promovem o bom e honesto capitalismo. Ele fez comentários sobre o valor do dinheiro (“Nada além de dinheiro é mais doce do que mel”). Ele elogiou a virtude do trabalho duro (“Deitar-se cedo e levantar-se cedo deixam um homem saudável, rico e sábio”).

Então vejamos o que o pregador de Eclesiastes; homem mais rico e sábio fala sobre isso.

A motivação do lucro

O homem que escreveu Eclesiastes teve a mesma motivação. Seu nome hebraico era Kohelet; em português, nós o conhecemos como o Pregador. Da declaração feita no primeiro versículo e de outros detalhes no livro, sabemos que ele era ou o próprio Salomão ou alguém que queria apresentar a trágica queda desse rei famoso como um CONTO DE ALERTA.

Mas independentemente de como o identifiquemos, esse homem queria que a vida lhe pagasse alguns dividendos. Como Benjamin Franklin, ele tinha muitas coisas sábias a dizer sobre a vida cotidiana, e estava sempre atento a alguma coisa que pudesse usar a seu favor.

Vemos isso na pergunta inicial do Pregador. No versículo 2, ele declara o tema de seu livro e o lema de sua vida: “Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade”. Então, no versículo 3, ele começa a defender sua TESE segundo a qual nossa existência é vazia, perguntando: “Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” (Ec 1.3).

A palavra “PROVEITO” (yitron, em hebraico) é um termo comercial normalmente usado no contexto de negócios. Refere-se a um excedente, a algo que sobra após o pagamento de todas as despesas. Essa é a meta que todos que trabalham no comércio tentam alcançar. A meta é obter um LUCRO como recompensa pelo trabalho.

Andando em círculos

Para demonstrar seu argumento — que nossos esforços dão em nada — o Pregador apresenta uma lista de coisas que parecem levar a nada ou não trazer nenhum lucro. A primeira parte de seu poema introdutório dá exemplos da criação — do mundo natural (v. 4-7). A segunda parte dá exemplo da experiência humana (v. 8-11).

Mas não importa se contemplamos o mundo à nossa volta ou consideramos as experiências da nossa própria vida, o resultado é o mesmo: não há nada a ganhar. As pessoas gostam de falar sobre o PROGRESSO — desenvolvimento econômico, avanços tecnológicos, melhoras evolucionárias — mas tudo isso não passa de um MITO.

Nunca haverá qualquer avanço: nada muda, tudo permanece igual. A começar pela natureza - terra, vento, fogo e água. O pregador diz: “Geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre” (Ec 1.4).

O que há de novo?

Se o sol e o vento e os poderosos rios nada têm a mostrar em troca de seu trabalho constante, então que esperança temos nós de realizar qualquer coisa na vida? O Pregador se cansa só de pensar nisso. Então, ele resume tudo que observou na natureza nestas palavras: “Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir” (Ec 1.8).

A vida é tão enfadonha, uma preocupação tão exaustiva, que é difícil até mesmo para colocar em palavras. Há uma versão em inglês que traduz assim esse verso: "A vida é muito mais entediante do que as palavras conseguem expressar".

Com essa declaração, o Pregador reforça o tema central de seu poema. Ele está tentando mostrar quanto a vida é cansativa. No entanto, ele ainda não chegou ao fim de seu argumento. Não é só o mundo natural que prova quão pouco há para se ganhar na vida, mas também a nossa experiência pessoal. Podemos começar pela PERCEPÇÃO SENSORIAL.

Tudo se faz novo

“Vaidade de vaidades!”. “Todas as coisas são cheias de fadiga!”. Você está começando a concordar com a filosofia de vida do Pregador? Você ainda acha que há algum lucro em todo seu trabalho, ou sua ladainha de fracassos já o convenceu de que a vida nada mais é do que labuta e problemas?

Aqui, é crucial entender o propósito do Pregador. Há uma razão pela qual ele quer que sintamos todo o peso da fadiga e da futilidade da vida debaixo do sol. “A função de Eclesiastes”, é levar-nos e ao ponto em que começamos a questionar seriamente a verdadeira razão do viver.

Se as coisas são assim, se tudo estiver morrendo. Nós nos deparamos com a inferência terrível de que nada tem sentido, nada importa debaixo do sol.” No entanto, a história não acaba por aqui. Lembre-se de que as coisas serão apenas assim se as contemplarmos “debaixo do sol”.

Mas Eclesiastes abre a possibilidade para uma perspectiva “SOBRE O SOL”, que pode trazer alegria e refresco para a vida na medida em que aprendemos que tudo importa. Uma maneira de ver isso é pegar todas as coisas que tornam a vida enfadonha — todas as repetições cansativas na natureza e na experiência humana — e ver que diferença isso faz quando trazemos Deus de volta para tudo isso.

CONCLUSÃO

Mesmo que Salomão queira que seus leitores entendam que a vida debaixo do sol é um presente de Deus e deve ser aceita e aproveitada como tal, ele faz tudo para nos mostrar que a vida vista apenas por essa perspectiva nunca parece fazer sentido.

A expressão “debaixo do sol” ressalta repetidas vezes a futilidade e a falta de sentido da vida vivida apenas para aqueles que vivem egoisticamente e sem gratidão ou respeito por Deus e seus caminhos.

No entanto, a pergunta pelo LUCRO OU GANHO continua sendo uma boa pergunta: Sabemos disso porque Jesus expressou essas coisas quase que exatamente da mesma forma: “O que ganhará o homem?” Ele perguntou. Só que Jesus virou toda a pergunta de ponta cabeça. Ele não perguntou o que no mundo nós ganharemos por todo nosso trabalho. Em vez disso, perguntou o que realmente ganharíamos se tivéssemos o mundo inteiro: “que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?”(Mt 16.26; cf. Mc 8.36).

A IMPLICAÇÃO É QUE NEM MESMO O MUNDO INTEIRO BASTA PARA COMPENSAR A PERDA DA ALMA ETERNA. Se tivermos buscando um LUCRO, não devemos estar vivendo por aquilo que o mundo parece nos oferecer, mas apenas pelo GANHO ETERNO que vem quando confiamos em Jesus pela dádiva gratuita da vida eterna.

📖

Leia a Bíblia completa em 1 ano

A Bíblia McCheyne com plano de leitura integrado. Bonita, prática e completa.

Adquira na Marcas Editora

Frete grátis • Parcelamento 3x sem juros

Anterior
Nada Tem Sentido (Sermão 01)
Próxima
A Busca da Humanidade Por Sentido (Sermão 03)