A Ilusão de uma Verdade Pessoal
A sociedade contemporânea apaixonou-se pela ideia de que a verdade é uma construção pessoal. "O que é certo para você pode não ser para mim", tornou-se o novo mandamento de uma cultura que detesta absolutos. O relativismo ético-moral prega que todas as concepções de certo e errado são fluidas, variando de acordo com a época, a cultura e, primariamente, a opinião individual. Contudo, essa aparente liberdade esconde uma contradição fatal: quando tudo é relativo, a própria justiça perde o sentido.
O profeta Isaías previu com rigorosa precisão o estado da mente relativista: "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal! Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo!" (Isaías 5:20). Quando abandonamos o padrão transcendente revelado nas Escrituras Sagradas, o que sobra não é a gloriosa libertação do ser humano, mas sim uma escuridão onde os desejos corruptos de nosso próprio coração tornam-se deuses.
O Problema Lógico do Relativismo
A filosofia pós-moderna, que serve como berço para o relativismo ético-moral, argumenta ferozmente contra a existência de qualquer moralidade objetiva. Ela insiste em dizer que todas as ideias e preferências éticas são apenas interpretações sociais. O grande problema dessa visão é que ela destrói as fundações de toda a vida humana.
A Contradição Autodestrutiva
Para que a afirmação "Não existem verdades absolutas" seja verdadeira, ela mesma precisa ser uma verdade absoluta. É uma premissa autodestrutiva. John Lennox, em seu brilhante alerta contra as tendências de nossa época, lembra que "espera-se que aceitemos como verdade absoluta que não existe verdade absoluta". O raciocínio relativista, quando levado às últimas consequências lógicas, colapsa sobre o próprio peso de sua incoerência.
O Fim da Justiça Objetiva
Se não existe uma moralidade superior e transcendental fornecida pelo Criador, as palavras "certo" ou "errado" ou perdem completamente o sentido, ou passam a significar apenas que um grupo político momentaneamente detém poder para subjugar outro. Se a ética é apenas uma preferência social, então um opressor que comete assassinatos motivado pela "busca de poder" está sendo tão autêntico quanto aquele que prega o amor. Para que possamos chamar uma ditadura, o genocídio ou atos de corrupção de "absolutamente ruins", precisamos de um padrão de "bom" que esteja fora e acima das meras construções sociais humanas (Malaquias 3:6).
O Vazio Ético: A Tensão do Nosso Coração
A Moralidade e a Autonomia
O que torna o relativismo tão profundamente atraente ao coração humano? Desde os ventos da queda no Jardim do Éden, o homem tem buscado uma autonomia mortal: a pretensão de desejar sentar na cadeira de juiz estipulando seu próprio "bem e mal" (Gênesis 3:5).
Adeptos do relativismo frequentemente tentam justificar seus pensamentos como formas refinadas de tolerância. No entanto, o verdadeiro ídolo escondido nesta filosofia moderna é a autonomia completa, o desejo de queimar a Lei revelada para que o coração possa seguir impunemente seus próprios desejos caídos (Romanos 1:21-25).
O coração humano tenta apagar Deus do papel de referencial para tentar apagar sua própria culpa e responsabilidade. Sem a Bíblia como baliza absoluta, ocorre a natural mudança de valores da qual sofremos as consequências: o pecado de adultério vira "libertação"; a quebra pactual vira "busca pela própria felicidade"; o roubo e a cobiça são justificados mediante conveniências, resultando sempre em sociedades disfuncionais e dilaceradas pela instabilidade moral (Efésios 4:14).
Um Deus que é a Fonte de Toda a Moral
O modelo cristão para a vida nunca apresentou a Bíblia apenas como uma lista aleatória de regras antiquadas de conduta. Pelo contrário: as Escrituras são a expressão do caráter divino, perfeito e misericordioso.
A Revelação Que Traz Vida
Enquanto a pós-modernidade flutua numa neblina cega e confusa, a ética bíblica resplandece como um firme alicerce. Ela estabelece a dignidade intrínseca de todos os seres humanos, a inviolável santidade e preservação da vida, a pureza no comportamento humano e o dever sagrado da justiça, pois todos esses são pilares emanados do caráter de Deus (Filipenses 4:8; 2 Timóteo 3:16-17). Em Cristo, a verdadeira liberdade não é o rompimento de vínculos, nem é forjar nossas regras mediante a autonomia e os impulsos carnais das paixões, mas sim um empoderamento pelo Espírito (João 8:32) para amar as coisas que são puras e gloriosas.
Aplicação Prática: Relacionando-se em um Mundo Relativo
Uma Presença de Convite e Fidelidade
Em tempos de extremas mudanças culturais, muitos jovens cristãos se sentem tentados a ou enclausurar-se com medo e arrogância de "estar certos perante este mundo corrompido," ou, do lado oposto e tão letal quanto, tentam se adequar intelectualmente, moldando de fato a própria doutrina bíblica e o conceito cristão para ser mais palatável a correntes não redimidas. A resposta bíblica, exposta pelo apóstolo Paulo é simples, direta e desafiadora: "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12:2).
Como igreja do Senhor:
- Devemos conhecer o que cremos, ancorados nas Santas Letras, e não por jargões populares.
- A verdadeira e definitiva quebra do relativismo moral em nosso século não acontece primordialmente por imposição política ou longos silogismos éticos em praças públicas. Ocorre quando nossa vida, como reflexo encarnado de pureza e alegria duradoura, exala que a Verdade não é um conjunto etéreo de conceitos ideológicos mortos, mas Alguém: Jesus Cristo, Caminho, a Verdade e a Vida (João 14:6).
FAQ
O que exatamente é o relativismo ético-moral? É a filosofia contemporânea que defende a não existência de absolutos e propõe que a verdade, as definições do que é nobre, justo, certo ou errado variam exclusivamente conforme perspectivas e experiências sócio-culturais.
Como os cristãos podem debater com um relativista na universidade ou no trabalho? Comece questionando a sustentação de sua própria base lógica. O simples ato de afirmar que "não existe moralidade absoluta" é, em si mesmo, uma constatação perfeitamente objetiva. Também use indagações em torno do sofrimento (ex. se tudo é relativo ao indivíduo, como podemos processar que atitudes flagrantes de desumanidade não sejam categoricamente malignas e objetivas?)
O cristão possui base para não tolerar e não amar as pessoas? Os princípios divinos ordenam absoluta firmeza a respeito dos mandamentos morais da inerrante Palavra de Deus, mas insistem rigorosamente que os que a defendem caminhem pautados no mais perfeito amor (Efésios 4:15). Em verdade, defender a lei amorosa de Cristo frente as falácias da conduta nociva é o maior ato de compaixão curadora ao próximo.
